O trabalho afasta de nós três grandes males: o tédio, o vício e a necessidade.Voltaire

Voltaire

Contexto

Voltaire escreveu essa frase em sua obra 'Cândido, ou o Otimismo' (1759), no capítulo final, quando o personagem principal e seus companheiros, após inúmeras desventuras, encontram um sábio turco que lhes ensina que o trabalho é a melhor forma de enfrentar os males da vida. O filósofo iluminista defendia que o cultivo do próprio jardim — ou seja, o trabalho útil — era mais valioso do que teorias metafísicas sobre o sofrimento humano.

Interpretação

A frase resume a visão pragmática de Voltaire: o trabalho não é apenas uma necessidade econômica, mas um remédio contra os vícios da mente e do corpo. Ele nos protege do tédio (a falta do que fazer), do vício (a busca de prazeres vazios) e da necessidade (a pobreza material). Em vez de lamentar a condição humana, o trabalho nos dá propósito e dignidade.

Aplicação

No dia a dia, a ideia pode ser aplicada ao buscar atividades produtivas mesmo em momentos difíceis. Se você está entediado, procure uma tarefa manual ou intelectual; se sente vontade de recorrer a hábitos nocivos, ocupe-se com algo construtivo; se enfrenta dificuldades financeiras, o trabalho consistente é o caminho. Voltaire sugere que a ação é melhor que a queixa.

Curiosidade

Voltaire era um workaholic assumido: escrevia cartas, ensaios e peças teatrais quase todos os dias, mesmo doente ou exilado. Dizia que 'o trabalho é a única coisa que nos torna felizes'. A frase ficou tão célebre que é citada até hoje como um elogio à ética do trabalho, embora Voltaire também fosse crítico ferrenho da exploração e da desigualdade social.

O trabalho afasta de nós três grandes males: o tédio, o vício e a necessidade.